Eu aguardo. Em meu pedestal admiro o espetáculo que se iniciará. Entro. O estádio explode. Fumaça, fogos, gritos delirantes, a magia do futebol.
Me posiciono na linha central do meio de campo.
É dado o apito do início da partida. Percorro todos os pontos do campo: da meia lua ao centro do campo, ao córner, pela lateral.
Viajo esfuziante como um cometa. Todos os olhos do estádio contemplam o meu trajeto. Sou como uma cápsula de viagem à Lua, retornando em parábola àTerra
O intervalo do jogo aproxima-se e, repentinamente, encontro minha morada. Espreguiço-me na rede que estufa com minha presença. O estádio estridula. Estou feliz e rodopio de alegria.
Saio no intervalo e retorno após certo descanso. Inicia-se novamente a peleja e continuo a viajar por todo o campo.
O apito me controla e vem, então, o final. Saio reverenciada, sua excelência, sem a qual não há espetáculo. Eu sou a bola.